sábado, 3 de novembro de 2007

Estou deitada em meu leito
Quando ela chega sorrateiramente.
Vê-me pelas frestas da janela.
Traz em si uma armadura de aço
Que não se abate com meu desprezo.
Vem andando nas pontas dos pés
E se esconde atrás das portas.
Observa-me das cortinas com a cabeça inclinada.
Põe-se detrás dos moveis.
Estica-se.
Agacha-se.
Rasteja pelo teto, pelo tapete, pelas paredes.
Sinto um vulto a me olhar dentro do espelho
-É Ela! Olho.
Nada.
Está deitada voltada para mim
Na rede ao lado
Quase em cima de minha cama
Sua expressão é impassível
E seu olhar parece de cadáver quando não fecha os olhos
A me despertar os infernos das agonias
Sinto seu peso no colchão
Está mais perto
Posso sentir mais forte seu cheiro
Que sempre foi de algo ou alguém
Num passado recente ou remoto
Seus trajes é um vestido de uma beleza singela
Possuidor de longos véus
Mas irritavelmente cinzento
Fareja-me e se encosta.
Quando ela se apóia a deitar sua cabeça em meus ombros
Turva minha vista,
A beleza das coisas perde a cor
E em cinza tudo se resumi
Ela é aquela que de visita se tornou da família
...Saudade...
(Suzane Dias)

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