Hoje pela manhã
A vi.
Sim...
Vez por outra a vejo
E é simples vê-la passar.
Mas hoje não foi.
Vendo-a caminhar pensei
_Ainda bela...
Mais do que antes
Deve ser o novo amor...
Vi de longe.
Aumentei o passo para alcançar
Para ter certeza de que era ela...
Ela a quem dediquei companhia perenal...
Sonhos para o amanhã...
Que com um olhar encantador me venceu a resistência
E puxou
Assanhou
Afagou meus cabelos.
Para quem minha alma era escrava
Para qualquer um de seus caprichos.
Fui me aproximando
Era de fato ela...
A que eu pensei me conhecer, mas não me conhecia
Que havia me julgado mal
Que pensou o pior de mim
Ela virou-se para trás
Pareceu me sentir.
Mantive minha face para frente.
Não nos olhamos nos olhos,
Mas ela olhou no fundo dos meus
E caminhou vestida com a indiferença
Que dedica a quem nada significa de bom em sua vida
Passei com o desprezo que meu orgulho me obriga
E me veio à frase:
Sim
Era ela...
A que duvidou de meu amor.
De repente
Meu coração desentoou como há muito não fazia
Tremeram frias minhas mãos
Inquietou-se minha alma
Redemoinhos em um só corpo
Os demônios deleitavam-se de meu vexame
Rompeu-se a represa sincera de mim
Afoguei-me nas navalhas
Que rasgaram as mentiras
Que embuti em mim como verdades
E percebi que quando fiz buracos
Para enterrar o amor que julguei fenecido por ela
Só cavei túmulos e os preenchi de saudades
Sem dar-me conta de um detalhe relevante
Saudade não morre
E pela forma como as bases me faltaram...
Esse amor também não.
Suzane Dias